Segurança na Proctologia

Sexo anal com hemorroida/fissura: dá para fazer?


O que muda quando há hemorroida ou fissura?

Hemorroida e fissura anal tornam o canal anal sensível. A fricção e o alongamento do ato sexual podem piorar dor e sangramento se houver crise ativa. A regra prática é simples: durante a fase dolorosa/inflamada, evite; retome apenas após controle dos sintomas e com lubrificação abundante e técnica cuidadosa.

Quando não fazer sexo anal

Evite em qualquer um destes cenários:

  • Dor intensa ao evacuar ou ao toque;
  • Sangramento recente (especialmente em jato/gotas na evacuação);
  • Fissura aguda (dor em “corte” após evacuar) sem tratamento estabelecido;
  • Trombose hemorroidária ou crise com edema;
  • Infecção/ferida perianal em atividade;
  • Febre, secreção, mau cheiro na região.

Quando considerar o retorno (e como testar)

  • Sem dor no dia a dia e na evacuação, sem sangramento recente e com fezes macias por pelo menos alguns dias seguidos.
  • Comece devagar, com estimulação externa e dilatadores pequenos (se liberado pelo médico/fisio), progredindo sem dor.
  • Qualquer ardor, fisgada, sangramento ou contração involuntária forte é sinal para parar e reavaliar.

Preparação que reduz riscos

  • Fezes macias: fibras 25–30 g/dia + água (1,5–2 L/dia, salvo restrições).
  • Evite esforço evacuatório nas 24–48 h que antecedem; não “treine” se estiver dolorido(a).
  • Banho morno antes pode relaxar a musculatura.
  • Unhas curtas, luvas em práticas manuais; comunicação constante com o(a) parceiro(a).
  • Sem álcool/drogas: pioram a percepção de dor e o controle muscular.

Lubrificantes e preservativos: compatibilidade importa

  • Use preservativo em todas as relações anais; troque ao alternar anal ↔ vaginal/oral.
  • Prefira lubrificantes à base de água ou silicone (maior deslizamento e proteção da barreira).
  • Evite óleos/vaselina com camisinha de látex (maior risco de ruptura); se houver alergia a látex, use camisinhas sintéticas (p. ex., poliisopreno ou poliuretano) com lubes compatíveis.
  • Reaplique generosamente; lubrificação insuficiente é a principal causa de microtraumas.

Técnica e posições que poupam o ânus

  • Sem pressa: alongamento progressivo, inspirar/relaxar, parar diante de qualquer dor.
  • Controle por quem recebe: posições que permitam ritmo e profundidade menores.
  • Evite movimentos bruscos ou “trancos”; priorize trajetos curtos e constantes.
  • Higiene: se usar plug/dilatador, lave com água e sabão neutro; não compartilhe.

Pomadas: ajudam ou atrapalham?

  • Corticoides tópicos aliviam coceira/dor por curto prazo, mas uso prolongado afina a pele e piora fissuras/prurido.
  • Anestésicos podem mascarar dor e levar a lesão por excesso de atrito; use apenas se orientado.
  • Vasodilatadoras (ex.: diltiazem/nitroglicerina) são para fissura crônica sob prescrição — não são “lubrificantes”.
  • Se você precisa de pomada todo dia para “funcionar”, reavalie: é sinal de que a causa não está controlada.

ISTs e prevenção específicas do sexo anal

  • Risco biológico maior de ISTs no ânus por tecido delicado e microtraumas.
  • Camisinha + lubrificante apropriados reduzem transmissão de HIV, gonorreia, clamídia, sífilis e outras ISTs.
  • Vacinar para HPV conforme faixa etária e histórico.
  • Pactue testagem regular se houver múltiplos parceiros.

Sinais de alerta após uma relação

Procure avaliação se houver:

  • Sangramento significativo ou que se repete;
  • Dor que não cede em 24–48 h, febre, secreção;
  • Nódulo doloroso (pode ser trombose hemorroidária);
  • Saída de muco/pus ou odor forte;
  • Dificuldade para evacuar por dor/espasmo.

Manejo prático 

Crise ativa de hemorroida

  • Pausa sexual; gelo local breve (compressa envolta em pano), banhos mornos, fezes macias.
  • Analgésicos conforme orientação; considerar retorno médico se edema/dor intensos.

Fissura aguda

  • Pausa sexual; foco em dor + amaciamento das fezes.
  • Reavaliação se não evoluir em poucos dias; em crônicas, discutir terapias específicas.

Retorno planejado

  • Sem dor e sem sangramento; dilatador pequeno opcional, lubrificante abundante, ritmo lento.
  • Se houver fisgada/sangue: interromper e reavaliar.
faq

FAQ

Sexo anal causa hemorroida?
Não diretamente, mas pode deflagrar crises quando há predisposição, por microtraumas e aumento de pressão local.

E fissura: posso “abrir de novo”?
Se a mucosa está fragilizada, sim. Por isso, só retome sem dor/sangue e com lubrificação farta.

Quanto tempo esperar após fissura?
Varia conforme a evolução. Em geral, espere cicatrização clínica (sem dor/sangue) e retome gradualmente.

Qual lubrificante é melhor?
Água ou silicone. Verifique compatibilidade com a camisinha escolhida; evite óleos com látex.

Posso usar vaselina/óleo de coco?
Não com camisinha de látex (aumenta ruptura). Avalie alternativas compatíveis.

Pomada anestésica resolve?
Alivia, mas pode mascarar lesão. Use com critério e orientação.

E se a camisinha rasgar?
Interrompa, troque imediatamente, considere testagem e medidas de pós-exposição conforme risco.

Dói sempre?
Não. Dor indica técnica inadequada, pouca lubrificação ou lesão ativa.

Na gravidez posso?
Decisão individualizada; em dor/sangramento, evite. Priorize conforto e segurança.

Quando procurar o proctologista?
Se houver recorrência de dor/sangue, nódulo doloroso, prurido persistente ou mudança no hábito intestinal.

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Se você tem hemorroida ou fissura e quer reduzir riscos sem abrir mão da vida sexual, uma avaliação personalizada muda o jogo: controla a causa, planeja o retorno com segurança e evita novas crises. Entre em contato e organize sua consulta.

Dra Clarisse Casali
Dra. Clarisse CasaliProctologista Rio de Janeiro – RJ /Proctologista Ipanema / Proctologista Barra da Tijuca

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Sou Dra. Clarisse Casali, Proctologista do Rio de Janeiro (Sociedade Brasileira de Proctologia), Especialista em Saúde do Intestino. Residência médica em coloproctologia HFCF/Min.Saúde. Especialista em Saúde do Ânus. Pós-graduação pelo Hospital Albert Einstein – SP. Especialista no tratamento de Hemorroidas, Especialista  em colposcopia anal – American Society of Cervical Patology⚕️.
Acompanhe meu Blog e o meu Canal do Youtube e fique atualizado com novas informações.

Fontes

  • American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) — Informações ao paciente: fissura anal; hemorroidas. FASCRS+1
  • ASCRS Toolkit (2023) — Diretrizes de fissura anal: manejo inicial não operatório, escalonamento terapêutico. ascrsu.com+1
  • CDC — Prevenção de ISTs; compatibilidade de lubrificantes com camisinhas; importância de lubrificação no sexo anal. CDC+1
  • UNFPA/Global Consultation — Segurança e compatibilidade de lubrificantes (recomendações técnicas). United Nations Population Fund
  • NHS — Fissura anal: evolução, tratamento e recuperação (inclui orientação sobre retomada de atividades). nhs.uk+2MKUH+2
  • Mayo Clinic — Fissura anal: causas, autocuidado e tratamento. Mayo Clinic+1

Revisões sobre compatibilidade e parâmetros de lubrificantes (osmolalidade/pH; segurança com preservativos). PMC+2Wiley Online Library+2


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Dra Clarisse Casali – Proctologia Rio de Janeiro

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